segunda-feira, 26 de setembro de 2016


UNICAMP


Palestra –A Arte de viver a maturidade - Ivone Boechat

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Monólogo da árvore




Fui gerada no útero de uma pequenina semente.
Vim ao mundo com a missão de preservar a vida coletiva!
Minha família é muito grande: todos os seres que habitam o Planeta.
Como todo ser vivo, respiro, sinto e percebo fluidos ao meu redor.
Preciso de oxigênio e de muito amor para oferecer abrigo e conforto à Natureza.
Meu crescimento vai depender da espécie, da região, do tamanho do espaço onde me plantarem, do respeito.
Busco desesperada pela luz do sol, me entorto, me estico se precisar, passo por cima de tudo para sobreviver.
Quantas vezes você me corta,
porque estou feia, gorda, velha, incomodando...
não estou produzindo. Você cuida de mim?
Tudo é desculpa para me derrubar...
As árvores são discriminadas! Aquelas floridas,
perfumadas, altaneiras são mais cortejadas.
Lembre-se de que todos precisam de mim...ah! os passarinhos precisam
das árvores, porque ali habitam, cantam, seduzem, fazem os ninhos.
Ajude a lutar por mim.
Cada árvore que se corta é um atentado à própria vida.


Ivone Boechat

sábado, 17 de setembro de 2016


Primavera

         Ivone Boechat

Palmeiras e coqueiros
arrepiados pelo vento
enfeitando o mar,
violetas, jasmins, papoulas e rosas,
perfumes e cores pelos canteiros
de qualquer lugar;
a natureza se ajeita,
na sinfonia do verde,
enfeita de primavera,
pede paz,
busca o carinho da brisa,
o conforto da esperança,
põe nas mãos da criança
todas as flores que faz,
serenamente avisa
que a festa vai começar,
abre a porta dos ninhos,
pede aos passarinhos
pra cantar.

sábado, 10 de setembro de 2016




                                  A Pátria

Ivone Boechat



A Pátria não é o imenso território, nem o ofertório de flores que a Natureza deposita diariamente aos pés do Senhor; não são os rios escandalosamente grandes e lindos que saem por aí dando show de beleza e esplendor;
nem tampouco as  montanhas e vales nada tímidos que se escancaram de amor e  se declaram publicamente, sem pudor!

A Pátria tem o suave perfume do auriverde pendão da minha terra,
estandarte, cantado em prosa e verso, abençoado, consagrado e beijado por milhões de brasileiros...

Minha Pátria parece uma menina sem juízo: cresceu, apareceu, brilhou e
se esqueceu de se comportar com civismo e se vestir dignamente com a grandeza da potência de todos os primeiros mundos...

A Pátria sai, às vezes, de sapato nada alto, enrolada num manto bordado de democracia, gritando feito louca, sacudindo os chocalhos da dominação...
com essa cara de  viciada em berço esplendido, essa menina-Pátria sabe plantar, colher  e comer sozinha, já é adulta, contudo, não perdeu ainda a mania de ganhar comida na boca.